8. A vida do Ser Simples sozinho(a)
Existem muitas pessoas que caminham por si só, ou seja, vivem vidas solitárias e são felizes.
Ser só (viver sozinho) e ser feliz é uma possibilidade que não deve se apoiar em situações de consumo, de alienação, de excessos de qualquer natureza para superar a falta de um companheiro (a). Comer, comprar, entreter-se em excesso pelo fato de não ter um companheiro(a) é algo questionável, pois a pessoa deixa de ser simples. E com isto a infelicidade surge nos momentos ao qual os excessos já não satisfazem como outrora.
O Ser Simples solitário tem uma força extra, pois a dedicação para se concentrar em si é maior que a concentração para se dedicar a si mas com uma pessoa companheira junto. Tomar decisões sozinho (a) é um exemplo de força extra, pois em muitos casos a medida de risco vai ser sentida apenas pela pessoa, sem ninguém para ajudar na análise e no resultado da decisão.
A opção por ser solitário é muito nobre. Basta imaginar que as situações de perigo e frustração vão se desenvolver com apenas uma pessoa para responder. Dividir um fato passado com um amigo é diferente de viver isoladamente um fato. Seja alegria ou tristeza, atravessar as situações sozinho (a) é tarefa árdua.
São inúmeros os casos de pessoas que vivem só por escolha feliz, mas o individualismo é um problema que leva a pessoa a seguir solitária, mesmo quando esta tem o desejo de seguir junto com outra pessoa.
É controverso, mas a pessoa individualista que opta por viver solitária é mais sincera que a pessoa individualista que vive infeliz junto com um companheiro (a). A opção em ser ser solitária não impede de ter vida socialmente ativa, ter interação de diferentes níveis com outras pessoas, enfim, nem todo solitário é recluso a si mesmo, isolado.
Monges de diferentes correntes religiosas, que se isolam em busca de objetivos transcendentais, desenvolvem autocontrole e contemplação que excedem a Vida Simples social. A Vida Simples nestes casos transborda de reflexões internas do Ser. Diversos são os casos de pessoas veneradas como santos que atravessaram longos períodos de isolamento, por escolha própria, e demonstraram que a felicidade começa em si, com pouquíssima interação com as influências externas. E a felicidade destas pessoas sempre desafio a visão contemporânea de felicidade relacionada com qualquer nível de consumo.
Para a vida do Ser Simples basta o respeito a si, a força superior para concentra-se em si, a visão de que ser só não significa ser individualista e que a busca pela felicidade não é privilégio daqueles que não vivem solitários.
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