17. Felicidade impenetrável e Felicidade Influenciável

 

A felicidade como sentimento, sensação, condição, circunstância e busca, ao final, deve ser uma característica indelével do Ser simples. E assim a felicidade se torna um hábito que não depende de nada. Ela apenas existe incorporada. Silenciosa, com brilho próprio, sem excessos e verdadeira, nada pode abalar o Ser simples que atingiu este estágio. E assim, sublimam-se as necessidades, pois há felicidade como regente da existência. De maneira direta, a plenitude do Ser simples tem como, entre várias características, um estado de felicidade que nada, ninguém ou tempo pode afetar.

 Mas até que o estado de felicidade inabalável citado acima seja atingido, o Ser simples ainda é influenciável, e requer vigilância constante. Na verdade, o estado inabalável é metaestável, ou seja, raro são os casos que realmente a plenitude do Ser simples é completamente feliz e inabalável. Com isto, a vigilância sobre si mesmo é sempre uma recomendação.

 É possível que o Ser simples apresente estágios de felicidade inabalável de maneira seletiva, ou seja, algumas situações são influenciáveis, assim como já explicado anteriormente (ver texto 16), e outras são inabaláveis. A luta é realmente que o ser o ser se torne inabalável e sua manifestação de felicidade demonstre estabilidade.

 Há uma dúvida se tal descrição de impenetrabilidade se aproxima em totalidade de uma descrição comportamental do ser que se posiciona como estoico (adepto do estoicismo). A resposta é não. O Ser simples está conectado com o funcionamento universal e vive em comunhão e interação com outras pessoas, e se relaciona com as situações próprias de outras pessoas que possuem maior ou menor relação consigo. E com isto aprende com as situações do cotidiano completo, da existência das coisas e da vida e não simplesmente objeta aquilo que a si não diz respeito. Há no Ser simples uma responsabilidade de interação e aprendizado com as situações para que o universo não o abale em sua felicidade. Para os estoicos, a interação termina antes de perceber o potencial de aprendizado com as situações com maior ou menor interação. Há muita convergência de pensamento entre o Ser simples e a essência do estoicismo, mas a rotulagem não é uma necessidade no momento.

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