16.Nossas palavras e atitudes podem influenciar a felicidade nossa e dos outros

 Nem todas as pessoas possuem felicidade impenetrável. Isto significa que o estado de felicidade pode sofrer influencia externa. A busca pela felicidade impenetrável deve ser constante. Entretanto, até que a felicidade se torne um hábito, de maneira que não seja necessário nenhum tipo de organização prévia de fatos ou coisas para este estado ocorrer, a felicidade pode sim sofrer influência externa.

Assim, todas as nossas palavras podem influenciar a felicidade. Falar contra a felicidade será o estágio mais exposto de busca de diminuição do estágio de felicidade. Agir contra a felicidade, mesmo que de maneira silenciosa também contribui para esta diminuição. Os orgãos do sentido percebem a tentativa de depreciar a felicidade, logo, aquilo que falamos e fazemos contribui com a felicidade. As entradas sensorias captadas pelos orgãos do sentido são as janelas de percepção da brutalidade, da hostilidade, da ignorância que afeta, infelizmente, o estado de felicidade.

E no caso da fala, as palavras nocivas à felicidade afetam não somente quem as emite, mas que as escuta. O grau de depreciação não é proporcional. Ou seja, ora afeta mais o emissor, ora afeta mais o receptor. Então, o remédio é não falar. Calar para não tornar-se infeliz. O Ser simples é verdadeiramente mais silencioso que as pessoas que não se preocupam com a estabilidade do estado de felicidade. A fala violenta existe, e a procura pela temperança e plenitude da fala é uma etapa que resulta em imposição calma e elegante de respeito, a partir de quem percebe que não falar violentamente é uma condição da felicidade impenetrável.

Já para o caso da atitude, que se manifesta em muitos  casos e expressões concretas de ações do corpo físico, com ou sem fala associada, é possível pensar na linguagem corporal de um ser que se impõem abertamente com vantagem física ou não, em locais públicos ou privados e desrespeita a ordem social, proporcionando incialmente espanto e estranheza de quem observa a atitude. Após isto, da indignação de observar a atitude de outrem, a reflexão pode trazer entristecimento daquele que ainda não atingiu o estado impenetrável de felicidade. Como exemplo, tem-se uma pessoa que não respeita uma fila ou um aviso qualquer em local público e com isto proporciona algum tipo de disfunção no funcionamento coerente e civilizado de um sistema previamente planejado (imaginar pessoas pulando a catraca de um sistema público de transporte ou manuseando bruscamente mercadorias em uma loja qualquer ou em uma feira livre).

Ao ver uma atitude grosseira, ou escutar uma forma de tratamento imprória, o Ser simples necessita de um rápido controle anti reação imediata, ou seja, controlar o estado emocional (que foi abalado em algum nível) e paralelamente pensar de forma direcionada a não perder o controle emocional e a pensar em duas situações: calar e distanciar-se.

É possível que isto cause desconforto em diferentes níveis e intenções, seja em quem agride ou é agredido. E concentrando o esforço no entendimento de quem é agredido, fazer silêncio, e distanciar-se fisicamente, o mais rapidamente possível, para somente após a diminuição da imagem mental e da sensação emocional e física recém sofrida, tratar a situação com muita convicção que lembrar em qualquer nível o fato, trará infelicidade. E isto deve ser evitado.

Até que a felicidade seja impenetrável, calar, distanciar, esquecer o fato e preservar a felicidade prévia é a condição do Ser simples.

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